Professora transforma alunos em empreendedores na sala de aula

Ao notar uma defasagem no aprendizado nas aulas de matemática, a professora Karen Juliana de Souza Gorri, da EMEB Professora Jaira Batista Santana da Silva, deu as mãos aos alunos do 4º ano A e abriu as portas para o universo dos números de maneira leve e lúdica.

Por meio do projeto ‘Pequenos Empreendedores’, que foi um dos finalistas do prêmio ‘EDUCAB Profª Terezinha Togni: Boas Práticas na Educação’, a professora reduziu o índice de notas vermelhas em 2019: dos 25 alunos da turma, 12 tinham dificuldades na matemática no começo do ano. Agora, são apenas duas crianças com notas vermelhas.

Um dos motivadores para o projeto ser abraçado por toda a escola, além do Prêmio EDUCAB, foi um passeio marcado para o mês de dezembro, para o ‘Kid Zania’, área inspirada em um modelo de Cidade Educativa, onde as crianças brincam e experimentam diversas profissões. O passeio tem custo de R$ 135. “Muitas famílias não têm condições de arcar com esse valor. A maioria tem mais de um filho na escola”, explica a professora.

Então, com o sonho nas mãos, Juliana tirou uma ideia da cabeça e dividiu com a garotada, que topou embarcar na aventura. Com um conceito diferenciado, a matemática passou a ser trabalhada no dia a dia escolar, aplicada a situações da vida real.

Além do conteúdo como as quatro operações, gráficos, sistema monetário, unidades de medida,  a professora passou a mostrar para as crianças como é difícil ganhar dinheiro e o valor que cada nota tem, tudo com o objetivo de angariar fundos para o passeio

A primeira ação aconteceu na Páscoa, com a venda de uma rifa de uma cesta montada com doações dos próprios alunos e familiares. Com a ideia, entrou no caixa das crianças os primeiros R$ 200. Depois disso, vieram bazares, eventos da escola e de escolas vizinhas, venda de pipas doadas, e muitos outros trabalhos. Hoje, o caixa das crianças já chega a mais de R$ 2 mil e o passeio será realidade para toda a turma.

“Vamos pagar R$ 85 do passeio de cada criança. Com o troco, avaliaremos democraticamente qual será a melhor opção para o que sobrar: se vamos levar para arcar com o valor do lanche ou se compraremos presente para quem participou do projeto ao longo do ano.”

Além de ajudar a criançada para o passeio, o projeto também rendeu outros bons frutos. As roupas não vendidas no bazar foram doadas para a ONG Formiguinhas Sem Fronteiras e também para as famílias de alunos em situação de vulnerabilidade social.

COTIDIANO Como lição ao longo de todo esse ano, a professora conseguiu inserir algo importante na vida das crianças. “Eles passaram a entender que a matemática existe fora da escola e que é necessária para a vida.”

A aluna Vitória dos Santos Pinheiro, de 10 anos, contou que antes do projeto estava dentro do grupo que tirava as notas vermelhas na sala. “Agora eu mudei isso e entendi o quanto é difícil para um adulto ganhar dinheiro”, comentou. A colega de sala, Ester Gonçalves de Souza, de 10 anos, também aprovou. “Gostei demais de participar e já estou ansiosa para o passeio.”

A professora destacou que o caixa segue aberto e as crianças ainda estão realizando algumas ações para fazer a quantia de R$ 2 mil aumentar ainda mais. E a lição que fica, com certeza, vai ser para a vida toda e formará adultos mais conscientes e com a educação financeira na ponta da língua. “Tenho muito orgulho desses alunos”, comentou Karen.