Criança morre no “desafio do desodorante”

Um menino de 11 anos morreu depois inalar gás de desodorante aerossol, em Hortolândia, região de Campinas. A suspeita é de que o garoto tenha feito o “desafio do desodorante”, já que a família sentiu cheiro forte de perfume em seu colchão. A brincadeira fatal difundida entre crianças e adolescentes na internet consiste em inalar o aerossol, fechar a boca e nariz e ficar o máximo de tempo sem respirar.

A criança foi encontrada desfalecida pela mãe, sobre sua cama, com as pontas dos dedos e a boca roxos. Ela chegou a ser socorrida na Unidade Pronto-Atendimento (UPA) da Vila Real, em Hortolândia, foi transferida para o Hospital Estadual de Sumaré (HES), em estado grave, mas não resistiu e foi a óbito. O corpo do garoto foi enterrado nesta quinta-feira, no Cemitério da Saudade, em Sumaré.

O garoto morava com a mãe, o padastro e irmãos, no Jardim Boa Esperança. A família da criança estava abalada e não quis dar entrevistas, mas a reportagem apurou que a inalação aconteceu na noite da terça-feira após a criança comer bolo com a mãe e irmãos.

Ele tomou banho, antes de entrar no quarto para se deitar. Tempo depois, a mãe foi vê-lo e o encontrou desacordado sobre a cama, com as pontas dos dedos e a boca roxos.

A família chegou a desconfiar que se tratava de um engasgamento, mas os médicos descartaram a possibilidade e disseram que se tratava da inalação de gás.

Enquanto estava no hospital, a mãe ligou para o padrasto que estava em casa e pediu para verificar na cama do menino se havia alguma pista.

O homem foi até o colchão e sentiu o cheiro forte de perfume.

“Estou chocada. Tenho um filho de 11 anos e até então não tinha ouvido deste desafio. Os pais devem ficar atentos e as escolas também devem trabalhar mais estes desafios com as crianças. No mesmo dia que soube da morte do menino, conversei com meu filho”, disse uma atendente de 39 anos, que pediu para não ser identificada.

 

O caso do garoto de Hortolândia não é o primeiro no Brasil.

Em abril de 2016, um caso chocou moradores de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Uma menina de 7 anos, na época, morreu depois de espirrar desodorante no rosto. Na ocasião, a família de Adrielly Gonçalves chegou a fazer campanha nas redes sociais para alertar os pais sobre esses vídeos de desafio que circulam nas redes sociais.

Em dezembro do ano passado, um adolescente de 14 anos também morreu em Eunápolis, na Bahia, vítima da brincadeira.

Alerta para os pais

Para a especialista em comportamento virtual, a psicóloga Rita Khater, já é mais do que na hora de as escolas, a sociedade e a própria mídia trabalharem com campanhas de orientação sobre riscos e de segurança das redes sociais.

De acordo com a psicóloga, as crianças são ingênuas e facilmente influenciáveis e assim como para muitas outras questões, também no uso das da internet, a criança precisa ser orientada e estreitamente acompanhada pelos adultos.

“Às vezes os adultos também não estão preparados para as armadilhas das redes sociais. A tecnologia traz benefícios quando sabemos usá-la, mas pode ser nociva se usada de forma inadequada”,disse.

Em tempos em que quase tudo se tornou digital e viral, todo o cuidado é pouco, especialmente em se tratando de criança manipulando sozinha o celular.

O especialista em inteligência digital, Thiago Menegao, acredita que a maioria dos adultos acha que a criança pode assistir vídeos infantis em aparelhos, cuja conta é de um adulto. No entanto, segundo ele, mesmo acessando programas infantis, os comerciais ou vídeos que sucedem ao que a criança está assistindo podem conter conteúdos impróprios. Isso porquê, as mídias sociais entendem que aquele aparelho que está com a criança pertence a um adulto e está sendo usado pelo mesmo.

“Quando você vê um vídeo, a plataforma analisa seu comportamento e vê que você gosta e direciona mais conteúdos. Então é importante que os pais façam duas contas, uma para o filho é outra para eles. Assim, restringem o conteúdo infantil”, explicou.

De acordo com Menegao há diversas formas de controlar o uso do celular e bloquear programas e vídeos impróprios para crianças. “No própri aplicativo ou conta do YouTube existem ferramentas poderosas de controle de informações. É só configurar. Não digo que isso vá evitar cem por cento, mas a probabilidade de um conteúdo indevido ser acessado é bem baixo”, disse.

Para o especialista, o principal fator que leva a criança a participar de desafios vistos nas redes sociais é a necessidade de ela se conectar emocionalmente com outra pessoa, de fazer algo para ter um destaque em um grupo.

“É uma necessidade natural do ser humano ter o desejo de pertencer a um grupo, de se sentir importante e muitas vezes o vazio dessas necessidades é preenchido nas redes sociais. É neste momento de fragilidade que se deparar com esses desafios é perigoso, se não houver a presença e controle dos pais”, frisou Menegao.

Texto: Alenita Ramirez / RAC

 

"Desafio do desodorante: Estudantes de Jussara são filmados em brincadeira que pode levar à morte.Na última terça-feira (19/03), quatro alunos de um colégio militar de Jussara foram filmados participando do ‘desafio do desodorante’, que consiste em inalar o gás contido nos frascos de spray durante vários segundos. A atitude é perigosa e pode levar à morte. Os estudantes foram transferidos da unidade de ensino após o vídeo ser divulgado na internet..O Tenente Coronel Couto, diretor do colégio, disse que medidas estão sendo tomadas na unidade para precaver a atitude. “Estamos preparando ações pedagógicas para alertar os estudantes a respeito do mal que esse desafio pode causar”, afirma Couto..Os pais dos alunos filmados realizando o desafio do desodorante, foram convocados ao colégio. “Conversei com os responsáveis dos quatro adolescentes, e decidimos por transferi-los para outras escolas”. Ten Coronel Couto informou que nenhum aluno envolvido teve problemas de saúde aparentes..PERIGOS.Grande parte dos desodorantes é fabricada com substâncias químicas consideradas antissépticas, como o ácido clorídrico. “Qualquer inalante com compostos químicos pode deflagar reações, levando a quadros graves como parada cardíaca e até óbito”, explica Fernando Ganen, pediatra e superintende do Pronto Atendimento Infantil do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo..MORTES.No dia 3 de fevereiro de 2018, uma menina de 7 anos morreu em São Paulo, ao realizar o desafio. No dia 20 de dezembro do mesmo ano, um jovem de 14 anos morreu em Eunápolis, Bahia. Em março desse ano, um adolescente de 17 anos morreu em Jales, São Paulo, também ao realizar o desafio do desodorante, difundido entre crianças e adolescentes na internet.Via : Bill Guerra

Posted by Guanabara Noticias Goiânia on Tuesday, March 26, 2019