Horta é terapia para assistidos no CAPS

Entre os 350 pacientes atendidos no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CapsAD), da Prefeitura de Jundiaí, com terapias e oficinas realizadas no prédio localizado no Anhangabaú, existe o grupo interessado no cultivo de hortas. Entre os pés de mostarda, coentro, couve e outras espécies de folhosas, os assistidos resgatam a autoestima e identificam outras oportunidades para a reabilitação social.

Desenvolvida no espaço do Centro de Convivência, Cultura, Trabalho e Geração de Renda (CECCO), no Parque Continental, a oficina de horta conta com média de 15 participantes, às quartas-feiras, no período da manhã. “Eles gostam tanto, que, ao longo da semana, se revezam para dar continuidade ao trabalho nos canteiros. A atividade promove o resgate de valores, da infância no campo que alguns tiveram, além de promover a ocupação de espaço público e a reintegração social, já que a atividade poderá servir como ponte para o mercado de trabalho”, explica a psicóloga do CapsAD, Thaís Dainez Souza.

José Carlos Costas, 53 anos, chegou ao CapsAD há vários anos, nem se recorda a data especificamente. “Eu estava bebendo demais. Passei vários dias só bebendo e não comendo nada. Cheguei ao hospital para tomar soro e acabei ficando internado nove dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Desde então, passei a fazer parte dos atendidos no CapsAD. Consegui controlar a bebida. As oficinas me ajudam muito”, conta o homem que é pintor e encontra na horta a terapia que o faz esquecer o vício em álcool.

“Eu bebida demais, pinga, vodka, whisky. Há um ano e dois meses meu genro me levou para o atendimento no CapsAD. Na primeira semana, eu não sabia o que era, mas tinha gostado. Hoje estou muito melhor. Eu sempre gostei de mexer com horta,tanto é que tenho uma em casa, para consumo”, conta o aposentado Luiz Akio Kawada, de 71 anos, que afirma não ir todos os dias ao CapsAD. “Aviso quando não vou. Eu tenho algumas coisas para resolver na cidade. Vou ao banco, pago contas, vou à agropecuária comprar mais sementes para fazer mudinhas”, explica.

Além do álcool, as drogas também colaboraram para levar Jurandir Reis da Silva, 42 anos, ao fundo do poço. Ele, que prefere passar a maior parte das noites na rua, afirma que as oficinas de plantio de hortaliças mudaram seu comportamento. “Hoje eu valorizo as coisas. Parei de beber. No CapsAD eu encontro apoio necessário para lutar contra o vício. Estar aqui é importante, porque estou aprendendo mais coisas, que poderão servir para trabalhar”, explica.

Morador na Vila Nambi, Isandro Donizete Coutinho, 46 anos, diz já ter sido proprietário de três imóveis e hoje sobrevive com bicos. “A bebida me atrapalhou muito. Tenho 8 filhos, todos adultos já, criados. Aqui na horta eu consigo ficar em paz. Aprendo muitas coisas com os colegas e com os responsáveis pela oficina. Quem sabe esse não pode ser um caminho para mim?”, analisa.