Fundo Social ultrapassa 7 mil vagas em cursos

Se antes a rua Dulce Pinheiro de Moraes, na Vila Municipal, era pacata e com pouca movimentação, hoje ela é ponto de encontro da vizinhança e de visitantes. A Havana Cabelaria, criada há seis meses, é o novo negócio do Carlos Eduardo Fernandes que, depois de conhecer o Fundo Social de Solidariedade de Jundiaí (Funss), decidiu arregaçar as mangas, colocar o avental e empreender. “Eu já tinha concluído um curso de cabeleireiro. Mas, foi no módulo de barbearia, do Funss, que o sonho começou a ganhar forma”, contou.

 

Jornalista por formação e sem emprego formal, Cadu investiu o que tinha para a criação e formalização da barbearia. “Vendi um carro, por R$ 15 mil, e comprei cadeiras, tesouras, navalhas e produtos, além da reforma do estabelecimento. Também adquiri algumas peças em ferro-velho e as transformei, como as bancadas feitas com estrutura de máquina de costura. O restante, como os quadros, espelhos e enfeites, eu peguei da sala da minha casa”.

O resultado é um comércio diferenciado, aconchegante e com serviços especializados, como wi-fi grátis e TV a cabo. No local, também é possível aproveitar o período para saborear uma bebida gelada ou um petisco. “Quando as pessoas procuram um cabeleireiro ou barbeiro, elas já contam com o bom serviço de corte, por exemplo. O que as fazem voltar e priorizar aquele estabelecimento é o conforto e o acolhimento. Afinal, elas possuem poucas horas tranquilas em um dia repleto de compromissos e, normalmente, optam por uma pausa de qualidade”. Segundo Cadu, desde a inauguração, a barbearia cresce 35% em faturamento a cada mês. “Estou muito feliz e já faço planos para o futuro, afinal, não podemos nos acomodar”.

Histórias como esta passam, todos os dias, pelo Fundo Social de Solidariedade que, em 2019, referendou sua vocação voltada para a qualificação profissional. De janeiro até setembro, a unidade disponibilizou 7.446 vagas gratuitas em cursos, workshops e oficinas. O número supera o ano anterior, quando 5.172 vagas foram abertas no município.

“O mercado de trabalho está em constante mudança e é preciso estar preparado. Por isso, nosso trabalho é voltado para transformar talentos em oportunidades de geração de renda”, afirmou Vanessa Machado, presidente do Fundo Social.

Das vagas oferecidas neste ano, 1.596 foram encaminhadas aos bairros, em uma iniciativa de descentralização de capacitações. “Levar o conhecimento até o local onde a população se encontra foi um compromisso assumido por esta Administração. Regiões mais afastadas do centro, hoje, contam com cursos com a mesma qualidade e conteúdo programático daqueles que são desenvolvidos na sede do Fundo Social”, afirmou o prefeito Luiz Fernando Machado.

Caminhos semelhantes também levaram Kaone Eloy, de 30 anos, para o Fundo Social. A jovem deixou a função administrativa em uma rede de lojas de materiais para construção, na capital paulista, e se mudou para Jundiaí, em janeiro deste ano. “A vida em São Paulo estava doentia, com tanta insegurança e estresse. Essa situação já estava prejudicando a minha saúde”, disse. Na bagagem, ela trouxe o sonho de trabalhar com pizzas caseiras. “Eu tinha um trailer, força de vontade e uma publicação na rede social sobre inscrições para um curso gratuito. Ingredientes básicos e essenciais para a minha receita de transformação”, disse.

Hoje, ela se orgulha ao dizer que é dona do próprio negócio e, principalmente, do próprio tempo. “O Fundo Social foi um divisor de águas na minha vida. Inicialmente, a ideia era estacionar o trailer no bairro onde moro e vender para a comunidade próxima. No entanto, comecei a fazer feiras em condomínios e, hoje, minha agenda é voltada para este nicho de mercado”, disse.