Debates acalorados marcam audiência do Plano Diretor

Trocas de ideias acaloradas e muitas reivindicações foram as marcas da segunda audiência de revisão do Plano Diretor de Jundiaí, ocorrida na Câmara Municipal. O debate a respeito do tema é resultado de dois anos de trabalho dos técnicos da Unidade de Gestão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, em parceria com representantes da comunidade. No dia 12 de setembro, foi feita a primeira audiência pública do Legislativo, também no auditório da Casa de Leis.

Nas duas ocasiões, apesar de técnico, o tema atraiu a atenção de vários segmentos da sociedade e lotou o plenário. Foi grande o interesse pela audiência: ao todo 37 pessoas se inscreveram para falar por três minutos cada uma sobre alguns dos principais pontos do Plano Diretor.

Chamou a atenção a grande presença de moradores do Jardim Brasil, vários a favor e outros contrários à instalação de estabelecimentos comerciais no bairro. O projeto de lei permite a instalação de escritórios e clínicas nas ruas internas do Jardim Brasil, mas proíbe qualquer outro tipo estabelecimento na região. Na audiência, foram debatidos ainda assuntos ligados ao perfil rural e urbano de bairros como Fernandes e Corrupira, além de manifestadas as preocupações dos presentes ao evento com a segurança, limpeza pública e mobilidade, entre outros assuntos, caso o projeto seja aprovado.

O presidente da Câmara, Faouaz Taha, declarou que a propositura ainda tem de cumprir um rito de tramitação na Casa e aguardar o parecer do Conselho Municipal de Políticas Territoriais. “A troca de ideias nestas duas audiências públicas foi muito importante e produtiva. Acredito que, na segunda quinzena de outubro, o projeto de revisão do Plano Diretor pode ser colocado na pauta para a última discussão em plenário e votação”, projeta Faouaz.

 

Transparência e participação

O gestor Sinésio Scarabello Filho disse que o Plano Diretor é fruto de um processo com várias etapas. “Desde o início, a Prefeitura de Jundiaí disse que este processo seria transparente e participativo. E foi isso que ocorreu”, lembra. “As divergências são comuns. Propomos o diálogo e, ao invés de ter a maioria, prefiro a negociação e o consenso. Quando não existe consenso, aí vamos pela decisão da maioria”, emenda.

Sinésio também comentou os embates acalorados entre moradores do Jardim Brasil e outras localidades. “A Região de Jundiaí tem pressões de quem defende posições antagônicas por conta de seu sistema viário e de sua posição geográfica entre duas grandes metrópoles, no caso Campinas e São Paulo. Aí surgem conflitos de ideias entre quem exerce atividades rural e urbana, por exemplo. Por isso, é importante discutir e foi isso que fizemos, definindo diretrizes mais detalhadas para os bairros que estão sujeitos a transformações mais expressivas. Estes homens que vivem da terra também vieram à Câmara para discutir, o que foi ótimo”, completa.