Exposição reflete sobre consumismo e desenvolvimento

O arquiteto e artista plástico Manuel Marchant abre nesta quinta-feira (12) a exposição “Trilogia” na Pinacoteca de Jundiaí. A mostra apresenta o trabalho desenvolvido entre 2012 e 2018 pelo artista, intimamente ligada aos seus projetos como arquiteto no Chile, onde vive. A entrada é franca.

Dividida em três partes, a exposição traz, do ano de 2012, “Fábricas”; o ano de 2016, “El Discurso de Diógenes”; e 2017 vem com “En los Bosques de Mashue”. As imagens, criadas como uma série de reflexões visuais, trazem um olhar crítico sobre a ordem social e política nas últimas décadas no Chile, abrangendo, porém, uma reflexão mais universal sobre as características do desenvolvimento e suas consequências para o planeta.

“Fábricas” resgata a história urbana por meio da construção de imagens complexas, misturando fotos reais a intervenções artísticas. O trabalho tenta resgatar os vestígios de antigas ocupações fabris em abandono ou prestes a serem redirecionadas a outros usos, mostrando o fim de um modelo de desenvolvimento que foi abandonado com a abertura aos mercados externos, bem como a nova divisão do trabalho no contexto da economia global.

“El Discurso de Diógenes” surge após o artista testemunhar um incêndio em um armazém de varejo em Santiago. “Uma vez extinto o incêndio, no dia seguinte, tirei muitas imagens digitais dos ‘restos mortais’, que ficaram como testemunho, para serem usadas para fins de seguro e reconstrução”, conta. “No entanto, as imagens têm uma vida própria, a memória relaciona-as e entrecruza-as com informações que vêm de outras experiências e pensamentos. As imagens constituem uma crítica à forma atual de acumulação de capital e mercadorias, e é uma reflexão sobre a produção de necessidades supérfluas”.

Já “En los Bosques de Mashue” está ligado a um trabalho realizado durante o ano de 2016, como parte da atividade profissional de Manuel Marchant. “Desenvolvi um projeto de jardim de infância na cidade de Mashue, Comuna de La Union, região de Los Rios. Este trabalho permitiu me conectar com uma região e uma paisagem desconhecidos para mim – a foz do Rio Bueno, as comunidades Huilliches de Mashue, a espiritualidade dos primeiros moradores. É uma região de beleza mágica, e à noite um céu radiante permite ver as estrelas e constelações infinitas do nosso hemisfério celestial meridional”, conta.

Parte importante de sua arte, seu trabalho possibilita um outro olhar. “O exercício da profissão de arquiteto nos situa plenamente no espaço e no acontecimento urbano e, portanto, na reflexão crítica sobre esse espaço e esse acontecimento”, resume.

A mostra, que será aberta às 19h desta quinta, tem patrocínio do Colegio de Arquitectos de Chile, e prossegue até 14 de outubro, com entrada franca. A Pinacoteca Diógenes Duarte Paes fica na Rua Barão de Jundiaí, 109, e a visitação ocorre de terça a sexta, das 10h às 17h, e sábados e domingos das 9h às 16h.