Profissionais dão dicas para evitar a hipertensão

Com o objetivo de fazer um alerta sobre os riscos da pressão alta, que atinge um em cada três brasileiros adultos, segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), o dia 26 de abril, nesta sexta, é o “Dia nacional de prevenção e combate à hipertensão arterial”. Quem possui pressão elevada tem maiores riscos de desenvolver doenças cardiovasculares, nos rins e cérebro. Outro dado, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), revela que a hipertensão arterial, no mundo, é responsável por 45% dos ataques cardíacos e 51% dos acidentes vasculares cerebrais.

Em torno de 30% dos adultos brasileiros têm pressão alta. Apenas metade dessa quantidade é diagnosticada e tratada corretamente.

De acordo com o cardiologista Dr. Marco Antonio Dias, Diretor Científico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) Regional Jundiaí, a doença é muito silenciosa e este é um grande perigo. “Muitas vezes, o paciente só procura o médico quando há uma complicação. No caso, a hipertensão pode causar um infarto ou um Acidente Vascular Cerebral [AVC], por exemplo”, explica o médico.

Como em boa parte dos casos não há sintomas, ou eles não são muito evidentes, a adesão ao tratamento também não é grande. “Isso é um grande risco. Ela gera problemas muito sérios, alterações nas artérias, lesões no cérebro, coração ou rim. Pode deixar consequências gravíssimas”, fala o especialista. O paciente é considerado hipertenso quando sua pressão medida no consultório é maior ou igual a 14 por 9 mmHg, ou quando a média das medidas obtidas em casa é superior a 13,5 por 8,5 mmHg.

O melhor caminho para o combate à hipertensão é a prevenção. “Devem-se eliminar os fatores de risco, como tabagismo, alimentação inadequada, obesidade, sedentarismo, colesterol e triglicérides elevados, excesso de consumo de sal e álcool, estresse e diabetes”, afirma o Dr. José Francisco Kerr Saraiva, presidente da Socesp. Uma avaliação médica periódica é a principal tática para se deixar a pressão nos níveis ideais.

Mas hábitos simples podem ajudar a controlar e até prevenir que a pessoa venha a sofrer com a pressão alta, como a prática regular de atividade física e uma alimentação balanceada. Para a nutricionista Roberta Morgana, professora e coordenadora do núcleo de pós-graduação em nutrição da Faculdade IDE, uma dieta equilibrada é sinônimo de vida saudável, ajudando a prevenir, entre outras doenças crônicas não transmissíveis, a hipertensão. Das dicas para prevenir a pressão alta, é bom evitar comidas industrializadas, processadas, embutidos, enlatados e muito condimentadas.

Atenção especial também com o excesso de sal. De acordo com a nutricionista, ele é considerado um dos fatores importantes no desenvolvimento e na intensidade da hipertensão arterial. “Na nossa sociedade, o sal é consumido de forma exagerada chegando a dados de até 12 gramas por dia, muito acima das nossas necessidades, motivo pelo qual ele é, atualmente, considerado um dos fatores de risco. Assim, a restrição do sódio é positiva na redução da mortalidade por acidente vascular encefálico e regressão da hipertrofia ventricular esquerda, que é o aumento da musculatura do ventrículo esquerdo do coração”.

Importante também ficar atento aos rótulos dos alimentos, pois a maioria dos produtos industrializados contêm um alto teor de sódio. “Na indústria alimentícia, o sódio é usado como conservante para os alimentos industrializados, até mesmo para aqueles que a população entende como produtos doces, como bolos e biscoitos. Então, os rótulos precisam ser analisados com bastante atenção. A dica é comparar os produtos dentro do mesmo seguimento e procurar optar para os que possuírem um menor teor de sódio”, orienta a professora de pós-graduação em nutrição da Faculdade IDE.

Mas o sal não é “o vilão” e não se deve cortá-lo do cardápio, pois ele também tem sua importância para o bom funcionamento do organismo. “Um trabalho na Revista Lancet, em 2016, mostrou que uma redução abaixo de 2,3 gramas de sal em pessoas com pressão normal pode prejudicar a saúde, pois eleva os níveis de hormônios reguladores do sal, hormônios do estresse e lipídios. Ou seja, tudo é uma questão de equilíbrio e avaliado de pessoa a pessoa”, esclarece a professora de nutrição Roberta Morgana. Para uma boa parceria com o sal, a recomendação é de que a dieta diária tenha, no máximo, 2 gramas de sódio (sal) e cerca de 4,8 gramas de potássio.

Exercício físico é grande aliado 

Além pegar leve no sal e manter uma alimentação equilibrada, a prática de atividade física regular é uma grande aliada para prevenir e combater a hipertensão arterial. Segundo o coordenador e professor do núcleo de pós-graduação em educação física da Faculdade IDE, Rafael Ritti, o exercício físico ajuda porque é capaz de reduzir o estresse cardíaco, tornando o coração mais eficiente, e aumentar a capacidade vasodilatadora, que seria a redução da resistência que o sangue causa ao passar pela artéria.

Mas ele lembra que para “fazer efeito”, a atividade tem que ser feita regularmente. “Todos os dias, preferencialmente. Atualmente, recomenda-se um mínimo de 150 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana. No entanto, pessoas que não conseguem atingir tais recomendações, devem ser ativos fisicamente o quanto conseguirem. O importante é se movimentar”, explica. Rafael conta que todos os exercícios físicos ajudam no combate à hipertensão arterial, mas “sociedades nacionais e internacionais de cardiologia e hipertensão, baseado em estudos de grande relevância, recomendam a prática de exercícios aeróbicos complementados com treinamento de força”.

Quem já tem pressão alta, o professor de educação física da Faculdade IDE orienta que todo portador de alguma doença crônica deve ter cautela. “Em especial com os hipertensos, os mesmos devem iniciar a prática do exercício quando valores de pressão arterial estiverem controlados. Ou seja, pressão sistólica abaixo de 160 mmHg e a diastólica abaixo de 100 mmHg. Outro ponto importante é que o exercício deve ser realizado apenas quando o paciente estiver em uso de medicamentos anti-hipertensivos”, comenta Rafael.

Em relação ao exercício, sabe-se que quanto maior a intensidade, maior é o risco de ocorrer algum problema cardiovascular durante ou logo após a prática. “Logo, deve-se evitar esse tipo de exercício de alto impacto. Pessoas com hipertensão associada a outras doenças, como diabetes e obesidade, e não fazem atividade física ou tenham idade acima de 45 anos, devem passar por um cardiologista para realizar um teste ergométrico e para saber se estão ‘liberados’ para se exercitar e não correr riscos”, recomenta o profissional de educação física Rafael Ritti.