Carros clonados se tornam comuns nas ruas

Recentemente, dois veículos com modelo e placas idênticos foram filmados e divulgados em redes sociais e aplicativos de celular. Eles estavam sendo conduzidos para uma delegacia em Fortaleza (CE), devido uma denúncia de falsificação, que veio a partir da desconfiança do proprietário do carro original após receber 27 multas em 6 meses. O caso era claro: tratava-se de uma clonagem.

Ter o carro clonado é mais comum do que parece, por incrível que pareça. Eles costumam circular ilegalmente no país sem que quase ninguém perceba, a não ser o próprio dono do veículo original que foi clonado, quando começa a receber multas que não são dele, por exemplo.

“Infelizmente as quadrilhas hoje em dia fabricam placas clonadas quase que perfeitamente e falsificam toda a documentação. Ao consultar detalhes do veículo, o comprador acredita estar adquirindo um automóvel em bom estado. O dono do carro que foi clonado por sua vez recebe todo e qualquer tipo de infração que outro motorista cometeu, muitas vezes até mesmo em outro Estado”, explica Beto Reis, diretor da Super Visão, rede de vistorias automotivas.

Existem algumas medidas que o próprio comprador pode tomar para não cair em golpes, mas a melhor solução é sempre solicitar a autenticidade de todos os documentos, e sempre desconfiar quando há muitas vantagens oferecidas pelo vendedor na venda de um carro.

Nos documentos é possível saber se houve falsificação assim como se faz em notas de dinheiro. É necessário prestar atenção se as inscrições “República Federativa do Brasil”, “Contran”, “Denatran” e “Ministério da Justiça” estão em alto relevo sensível ao tato e se há pequenos traços coloridos, denominados filigranas, em toda a superfície do papel. Outra sugestão é esfregar o papel em uma folha em branco e verificar se ele deixa marcas verdes.

É necessário checar a numeração do chassi gravada nos vidros para ver se há sinais de adulteração e se o número confere com o do documento. Se não tiver nenhum número, a possibilidade é que o vidro foi trocado, até mesmo devido à uma batida, em alguns casos. Cuidado com alterações em números, por exemplo, o zero e o nove, que podem ser transformados em oito.

As placas também podem sofrer adulteração. É necessário sempre verificar as furações delas, se estão intactas, e no padrão de dois furos bem redondos acima e o rebite abaixo, entre eles, como uma espécie de “cabeça de Mickey” (dois furos acima e o rebite abaixo). O lacre e o fio não devem estar rompidos. O número gravado no metal da placa e ao lado da tarjeta da cidade de origem e que é difícil de ver de longe, devem coincidir entre si e estarem de acordo com o Estado e ano de fabricação real do carro.

O motor é outro item a ser analisado e sua numeração deve estar alinhado e sem sinais de adulteração. As etiquetas de identificação do cofre do motor, na coluna da porta do passageiro e quase sempre no assoalho mostram o número final do chassi e não é possível retirá-las sem que se estraguem, portanto, sua verificação se faz necessária.

Por fim, é preciso ficar atento à data de fabricação colocada em algumas peças do carro como etiqueta do cinto de segurança, vidros, mangueiras, rodas, radiador e reservatório de fluido de freio, que devem ser relacionadas ao verdadeiro dia em que o carro foi feito.

Vistoria cautelar 

Claro que mesmo seguindo essas dicas, fica difícil identificar um carro clonado e o melhor a se fazer, segundo Beto, é contratar uma empresa especializada neste tipo de serviço e realizar uma vistoria cautelar, que faz o levantamento completo de um veículo. Mais prático, rápido e longe de erros, o serviço verifica os documentos do carro, identificando se é clonado ou não. É um verdadeiro certificado de procedência do veículo.

A vistoria cautelar é imprescindível para não cair em truques. Além de indicar uma possível clonagem, ele verifica histórico financeiro, pendências jurídicas, sinistros e se o carro sofreu danos significativos em sua estrutura que possam até colocar em risco a vida do condutor e demais ocupantes. Ela também identifica restrições que impedem sua regularização, aponta para o histórico de furtos ou roubos e se o carro é oriundo de leilão.

Chassi, motor, câmbio, vidros e etiquetas de identificação, são alguns dos itens a serem avaliados pela vistoria. Reparos nas longarinas dianteiras e traseiras, painel dash, dianteiro, traseiro, colunas e em demais peças, também podem acabar desvalorizando um automóvel e são identificados com a contratação do serviço.