Fernanda Torres estreia em “Sob Pressão”

A relação de quase 20 anos entre Samuel (Stepan Nercessian) e o Macedão chega perto do fim no próximo episódio de ‘Sob Pressão’, previsto para ir ao ar na terça-feira, dia 30. A visita de Roberto (Marcelo Serrado), assessor da secretaria de saúde, e Renata (Fernanda Torres), gestora do setor privado, inicialmente se trata de uma avaliação para a possibilidade de um aumento de verba. Apesar de aprovada, a proposta só será colocada em prática mediante algumas mudanças na gestão do hospital, o que impacta diretamente no cargo de Samuel e promete alterar definitivamente os rumos da trama.

Não é só a carreira do diretor que sofre um baque do destino. O casamento de Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) também é afetado pelo aparecimento de alguém inesperado. José Luiz (Luis Melo), pai da médica, surpreende a todos ao surgir no hospital. Inicialmente, ele é expulso por Evandro, que depois se junta a Carolina no atendimento a um bandido baleado. Ao escutar um desabafo dela com o marido sobre o pai, o paciente, agradecido pela ajuda da cirurgiã vascular, sem que ela saiba, dá ordens aos seus comparsas para irem atrás de José Luiz, que mais tarde dá entrada na emergência com marcas de uma forte agressão. O atendimento a ele acaba levando o casal a emoções extremas que abalam o clima de romance entre os dois.

Enquanto isso, Décio (Bruno Garcia) recebe uma paciente transexual com infecção generalizada em decorrência de um implante de silicone, realizado fora do ambiente hospitalar. Menor de idade, além da prótese, Jamille (Gabrielle Joie) fez tratamento hormonal clandestino, já que fugiu de casa e não tem autorização dos pais para realizar o procedimento legal. Abalado com a realidade da jovem e com receio de que ela continue o processo secretamente, Décio se propõe a ajudar na conversa com os pais da menina, Alexandre (Chico Pelúcio) e Silene (Inês Peixoto), interferem no quadro da jovem.

Apesar de estável, sua saúde ainda está frágil. Jamille deu entrada na emergência com uma infecção avançada e precisou passar por procedimento cirúrgico na enfermaria do hospital, uma condição contraindicada em seu caso, porém, necessária, diante da falta de uma sala de cirurgia e um CTI. Tamanha precariedade chama bastante atenção de Renata. Referência no setor privado, ela é nomeada pelo governo para gerir o Macedão. A chegada da personagem está entre as principais novidades desta temporada de ‘Sob Pressão’ e marca o retorno de Fernanda Torres a trabalhos dramáticos na TV.

Com direção artística de Andrucha Waddington e direção de Andrucha e Mini Kerti, ‘Sob Pressão’ é uma coprodução da Globo com a Conspiração Filmes. A série conta com supervisão de texto de Jorge Furtado e redação final de Lucas Paraizo, que escreve os episódios com Antonio Prata, Marcio Alemão e André Sirangelo.

Temas sociais

 

Assim como na temporada anterior, ‘Sob Pressão’ aborda diversos assuntos inspirados na vida real, cujo debate tem extrema importância para a sociedade. Ao fim de cada episódio, o público vê cartelas contendo informações e dados sobre os temas em questão, como transfobia, assunto abordado no episódio da próxima terça-feira, dia 30.

Entrevista com Fernanda Torres

Sob Pressão foi uma série muito premiada já na primeira temporada, tanto no mercado internacional, quanto no nacional. Como é para você entrar neste projeto?

Eu já era fã de ‘Sob Pressão’, uma série que atingiu um nível de realismo na televisão raro de encontrar. No meio do ano passado, Andrucha (Waddington) e Lucas (Paraizo) me falaram da importância de dar vida à corrupção nesta temporada e me convidaram pra fazer esse papel. Eu achei maravilhoso. Há muito tempo eu não fazia um trabalho dramático na TV e, mais do que isso, muito realista.

A Renata é uma mulher muito ambiciosa. Como foi a entrada dela na trama e como você a define?

Quando eu cheguei às primeiras leituras, havia a dúvida se ela era vilã ou não. Foi um trabalho interessante. Fizemos um arco para ela ser uma pessoa com ambições no mundo da saúde, que tem uma vida muito bem-sucedida como gestora de hospitais privados, e é chamada para resolver a situação desse hospital – o Macedão. Só que a Secretaria de Saúde não tem dinheiro para pagar seu salário. É quando ela aceita entrar ‘no esquema’ para igualar o que ela ganhava no setor privado. Renata é uma pessoa que vai sendo enredada porque é ambiciosa e começa achando que não é tão grave. E uma hora fica gravíssimo

Como vai ser a relação ela com o Evandro (Julio Andrade)?

No início, ele acredita que a Renata é apenas uma burocrata, que não entende o que é o dia a dia daquele lugar. Mas ela entende de gestão. Começa a aparelhar o hospital e inaugura um novo CTI, por exemplo. Tem uma hora em que ele começa a acreditar na função dela, que acaba o envolvendo no esquema sem ele saber.

A corrupção já existia de fato no hospital.  Como você vê a diferença de gestão entre Samuel e Renata?

Eu acho que a Renata é mais profissional do que o Samuel. Ela é uma gestora moderna que se alia à corrupção profissional do sistema, dos fornecedores de equipamentos e do mercado da saúde. Samuel acaba sendo um gestor do improviso. Se está faltando um tomógrafo, ele vai lá e arruma o tomógrafo. E, entre um improviso e outro, ele também acaba tendo que pagar aquele extra a quem está envolvido. A diferença é que Renata recebe uma porcentagem em cima de tudo negocia, enquanto Samuel chega a pagar a mais para resolver os problemas do jeito dele.