Aleitamento materno é aliado na prevenção ao câncer de mama

Uma revisão em 47 estudos mundiais apontou que mulheres que amamentam por dois anos, têm 33% menos chance de desenvolver câncer de mama. Segundo a nutricionista Marcela Bionti, responsável pelo Banco de Leite Humano de Jundiaí, vinculado ao Hospital Universitário (HU), o estilo de vida, como a prática da amamentação, se associa a redução do risco de câncer de mama: o segundo, em frequência no Brasil entre mulheres, que mais mata.

Ainda de acordo com a revisão, envolvendo cerca de 50 mil mulheres com câncer de mama e 97 mil controles, a amamentação, quanto mais prolongada, se mostrou mais protetora: o risco relativo de ter câncer decresceu 4,3% a cada 12 meses de duração da amamentação, independente da origem das mulheres (países desenvolvidos ou não desenvolvidos), idade, etnia, presença ou não de menopausa e número de filhos.

As mulheres que amamentaram por mais de dois anos têm 33% menos chance de desenvolverem câncer de mama do que aquelas que nunca o fizeram. De acordo com o médico mastologista, ginecologista e obstetra prof. dr. João Bosco Ramos Borges, o motivo pelo qual a amamentação reduz o risco de câncer de mama está relacionado ao fato de a amamentação retardar a ovulação e, consequentemente, diminuir o nível de hormônios no organismo.

O mesmo ocorre durante a gestação. “Antigamente, as mulheres tinham muitas gestações e amamentavam seus bebês em média até os dois anos de vida. Os índices de câncer de mama eram baixos”, relembra. “Com o tempo, as mulheres passaram a ter menos filhos e a amamentar por um período menor, o que significa uma mudança de comportamento reprodutivo da mulher”, complementa. A consequência é o aumento no índice de vítimas do câncer de mama.

“O aleitamento materno deve sempre ser encorajado e apoiado, pois pode melhorar a qualidade de vida das famílias como um todo. A amamentação, além de favorecer o vínculo entre mãe-filho traz uma excelente nutrição e garante a prevenção do câncer de mama, que infelizmente acomete muitas mulheres”, finaliza a nutricionista.