Alunos do ‘Cinema e Literatura’ elegem obras para produção de curtas

Os alunos da segunda turma do curso “Cinema e Literatura”, realizado na Biblioteca Municipal Nelson Foot, elegeram os livros que terão versões adaptadas para curtas-metragens. Idealizado pelo especialista em cinema, Carlos Zaik, o curso prepara os alunos para a produção de filmes com base em livros do acervo da Bilblioteca. “Nosso projeto permite que os participantes vivenciem a narrativa dessas histórias colocando em prática todas as fases da montagem de um filme, incluindo produção, roteiro, fotografia, direção e manuseando equipamentos de última geração”, explica.

Entre as 11 obras defendidas, cinco foram eleitas para a produção dos filmes. As mais votadas foram “Firenight 451”, de Ray Bradbry, “Eu Robô”, de Isac Isaac Asimov e “Eles não usam black-tie”, de Gianfrancesco Guarnieri, seguidos por “Poliana”, de Eleanor Porter, e “O Alquimista”, de Paulo Coelho.

Com 19 votos, “Eu, Robô” é um marco na história da ficção científica e, como conta o aluno Luiz Felipe, tem pouco a ver com o filme estrelado por Will Smith. “São nove contos que abordam a inteligência artificial e as questões éticas que regem o comportamento dos robôs”.

Os jovens Rodrigo e Julia, que defenderam “Eles não usam black-tie”, baseado na peça de Gianfrancesco Guarnieri, destacam que fizeram a escolha por se tratar de uma obra nacional e também por sua forte crítica social. “Embora seja uma narrativa dos anos 80, tem uma conexão muito forte com o momento atual do Brasil, porque aborda o golpe militar, as greves e a luta dos sindicatos”, explicam. Segundo eles, os brasileiros estão num momento em que é difícil expressar uma opinião. “Nesse momento delicado, em que tem gente querendo a volta da ditadura, achamos que seria importante essa abordagem como forma de reflexão”, defendem.

Livros de José de Alencar, Sidney Sheldon e Agata Christie também estavam na lista de concorrentes. Carlos Zaik disse estar satisfeito com as escolhas porque mostra maturidade e sabedoria do grupo em optar por temas tão complexos, mas que ao mesmo tempo permitem uma abordagem moderna e sintetizada das obras, sem exigência de uma grande produção. “Os grupos já decidiram quem serão os diretores, roteiristas, produtores e diretores de fotografia. O trabalho de criação começa a partir da próxima aula, portanto, a vivência do cinema acontece durante todo o curso”, destaca.

Sobre o Curso
O “Cinema e Literatura” foi criado como contrapartida para que a Biblioteca pudesse ser utilizada pelo projeto “Câmera na Mão”, selecionado pelo Proac e dirigido a adolescentes. “A troca foi excelente, porque, embora tenha surgido como uma demanda, o ‘Cinema e Literatura’ está se tornando um projeto independente e uma nova opção para os amantes de livros e cinema de todas as idades”, conclui Zaik.

Iniciado em abril, o “Cinema e Literatura” é gratuito e sua conclusão acontece em julho. Mais informações sobre os projetos podem ser obtidas no site www.vidapontocom.org.br/camera-na-mao