ARTIGO: O Brasil tem jeito?

Miguel Haddad

É comum, frente aos dados positivos da economia – por exemplo, o número de novos empregos criados em outubro, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), órgão do Ministério do trabalho, beirando 80 mil, quase o dobro do que era previsto – as pessoas reclamarem dizendo “para mim, nada melhorou de fato”. Ou então, com a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro mandando soltar deputados que foram presos, acusados de corrupção, ouvirmos um coro nas redes sociais dizendo que o Brasil não tem jeito, mesmo que a Justiça, logo em seguida, os tenha mandado prender novamente.

O fato é que há razões para lamentar e, ao mesmo tempo, para acreditar que pelo menos a economia está dando sinais de melhora.

Isso vai se sustentar? Ou os corruptos vão dar um jeito e se safar e a economia apenas segue a trajetória do famoso voo de galinha, que parece que sobe, mas logo desce?

Acredito que somente teremos uma percepção mais clara do que vai acontecer no ano que vem. Caso se consolide o processo de retomada do desenvolvimento de tal maneira que as pessoas ao invés de lerem sobre os avanços da economia, sintam uma melhora em sua situação econômica e, ao mesmo tempo, assistam a condenação e a prisão dos principais implicados nos esquemas de corrupção, principalmente dos chefes dessas negociatas, teremos uma conjugação de fatores positivos que nos permitiria ter mais confiança no futuro do nosso País.

Como ano que vem é um ano eleitoral – vamos escolher o novo presidente da República, os novos governadores, a totalidade dos membros das assembleias legislativas e da Câmara Federal e dois terços do Senado – esses desdobramentos, que influenciarão de forma decisiva as nossas escolhas, definirão o futuro do Brasil.

No caso de melhoria perceptível, o eleitor tenderá escolher um administrador competente, capaz de manter o País no rumo que está a seguir. Caso contrário, poderá ser levado a escolher um salvador da pátria, que prometa mundo e fundos, com os resultados de sempre.

O Brasil tem jeito? Da minha parte, acho que sim. Torço – e assim tenho votado – pelo fim do foro privilegiado, pela prisão dos culpados e pela continuação da trajetória de melhoria econômica, mesmo que se dê gradualmente, mas de forma continuada, sem retrocessos.

Minha esperança maior é que toda essa tragédia sirva, ao final, para nos livrar de uma vez por todas dos salvadores da pátria, que sempre infelicitaram o Brasil.

Miguel Haddad é deputado federal pelo PSDB.