Paciente deprimido precisa de atenção, diz médico

O tratamento da depressão, bem como das síndromes de pânico e ansiedade, é importante para a redução do risco de doenças cardiovasculares, salientou o médico Kalil Duaillib, professor titular de psiquiatria da Universidade de Santo Amaro (Unisa), em palestra no 38º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), realizado no Transamerica Expo Center.

“Também é preciso levar em conta que o paciente deprimido costuma abandonar o tratamento de uma enfermidade, deixa de tomar remédios e tende a ingerir álcool e outras substâncias”. Esse paciente merece muita atenção por parte dos familiares.

A depressão, ansiedade e síndrome de pânico têm efeitos que podem ser danosos quanto à saúde cardiovascular. Um exemplo é a insônia, que se caracteriza por demorar muito para dormir, acordar durante o sono ou despertar antes do tempo adequado. “Quem tem insônia e dorme mais de seis horas por noite tem 30% mais de risco de hipertensão do que pessoas cujo sono é normal; que tem insônia e dorme menos de cinco horas por noite tem risco 520% maior”, revelou Dr. Kalil, citando estudos internacionais.

O médico disse, ainda, que as pessoas com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) apresentam risco 30% maior de ter uma doença cardiovascular. “Assim, é muito importante o tratamento da depressão, ansiedade e síndrome de pânico, pois, além dos problemas intrínsecos que causam nos pacientes, incluindo até mesmo o risco de suicídio, podem desencadear outras doenças, como as cardiovasculares”.

Consumo de drogas
O médico psiquiatra alertou para o fato de que no Brasil, assim como ocorre no México, tem aumentado de maneira expressiva o consumo de álcool pela população adulta.
“Além disso, 1,5 milhão de brasileiros com mais de 18 anos fuma maconha todos os dias e 8,4 milhões, quatro vezes por semana”, comentou o especialista.