Jundiaí tem 11 casos de microcefalia

Pesquisadores do Projeto Zika Vírus- Coorte Jundiaí apresentaram na manhã desta segunda-feira (04), no auditório do Hospital Universitário (HU) um balanço das ações e os resultados obtidos durante os primeiros quatro meses do início das coletas.

O coordenador da Coorte Jundiaí, Dr. Saulo Duarte Passos informou que 331 gestantes cadastradas na pesquisa forneceram amostras de sangue, saliva e urina. Dessas mulheres, 241 já receberam o resultado dos exames apontando a existência do vírus zika em 34 pacientes, uma média 14,1%.

Pesquisadora e vice-diretora clínica do HU, Dra. Márcia Ramos Borges Machado apresentou os dados sobre a microcefalia que foi registrada em 11 casos (6,6%) dentre os 165 partos já ocorridos com as mulheres participantes da pesquisa.

Em três casos de microcefalia foi constatada a presença do vírus zika no bebê e em um caso o vírus também foi detectado na mãe. Márcia ressaltou que ainda é muito precipitado concluir uma relação entre microcefalia e zika com amostragem tão pequena.

Dra. Margareth Arrilha, coordenadora da área de psicologia do projeto, comentou sobre os impactos do zika nas gestantes e destacou a preocupação com as consequências da doença, falta de informação, medo do estigma e negação com o resultado como os comportamentos mais presentes dentre as mulheres participantes da pesquisa.

A enfermeira responsável pelas coletas dos exames biológicos, Maria Manoela Duarte Rodrigues, explicou a importância dos voluntários para o andamento da pesquisa e destacou a necessidade do auxilio de mais pessoas interessadas em colaborar com os trabalhos ou ajudar financeiramente o projeto a fim de viabilizar o transporte das mulheres até São Paulo para a realização de exames de ultrassom mais precisos.

Dr. Stephanno Sarmento comentou sobre o acompanhamento realizado no HU por meio de exames de ultrassom feitos durante a gestação das mulheres participantes da pesquisa e destacou a importância dos exames mais apurados feitos com equipamentos de última geração realizados na capital na clínica do Dr. Antônio Fernandes Moron, professor titular do Departamento de Obstetrícia da Unifesp e uma das maiores autoridades em medicina fetal no país.

Dra. Rosa Monetti, diretora de vigilância em saúde da Secretaria de Saúde do município esclareceu que os resultados apresentados pela pesquisa diferem dos dados oficiais divulgados pela Vigilância Epidemiológica porque os casos detectados pelo estudo não estão incluídos nas normas determinadas pelo Ministério da Saúde que preconiza a notificação de casos sintomáticos. A diretora afirma o interesse do poder público em registrar esses casos e que já criou uma ficha para notificação de pacientes assintomáticos uma vez que 79% dos casos de zika não apresentam qualquer sintoma.

Dr. Saulo Passos encerrou a apresentação explicando que o estudo de coorte é um projeto de seguimento no qual o paciente é acompanhado por vários anos com o intuito de analisar a evolução desse indivíduo. Acrescentou que é necessária a adesão de 500 gestantes para finalização da etapa de coletas e que os bebês das mulheres inscritas na pesquisa estão recebendo acompanhamento pediátrico no Ambulatório da Faculdade de Medicina de Jundiaí.

O Projeto

O HU é um dos 28 polos de pesquisa sobre o vírus no Estado de São Paulo e será responsável por investigar a transmissão do zika em gestantes e suas repercussões nas crianças.  Os pesquisadores coletarão amostras de sangue, saliva e urina no Hospital Universitário de gestantes de alto risco ou com suspeita de Zika Vírus  e encaminharão para Laboratório de Biologia Molecular da Faculdade de Medicina de Jundiaí, com objetivo de identificar e detalhar o vírus. A equipe da Faculdade de Medicina responsável pela análise das amostras foi treinada por profissionais do Instituto Pasteur de Dakar, do Senegal, que tiveram importante participação no combate ao ebola no continente africano.

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